Na edição n.º 204 da “TecnoMetal”, Aníbal Campos, presidente da direção da AIMMAP e também diretor da revista em causa, chamou a atenção no seu editorial para o facto de o Ministro Álvaro Santos Pereira estar a aparentemente a dar alguma esperança ao país no sentido de poder vir a bater-se de forma decidida pela reindustrialização do país.
O assunto abordado pelo presidente da AIMMAP merece sem quaisquer dúvidas a maior reflexão por parte de todos os que se preocupam com o tema, sendo pois por tal motivo que se transcreve nas linhas subsequentes o referido editorial.
"Reindustrialização
Temos assistido nas últimas décadas a um lamentável processo de desindustrialização da economia portuguesa.
Acresce que a Europa no seu todo, com algumas honrosas exceções, tem feito exatamente a mesma coisa.
Contra a opinião daqueles que estão no terreno a procurar ciar riqueza e gerar emprego, os iluminados que nos têm governado tentaram criar a ilusão de que era possível sobreviver sem indústria.
No início deste século vinte e um vimo-nos atolados nesta crise, emergente em grande parte da teimosia de se insistir numa fantasia estapafúrdia.
Pouco a pouco, os europeus vão-se apercebendo do logro a que foram conduzidos e percebem que não é possível a Disneylândia que lhes foi prometida, sem produção industrial e consequentemente com cada vez menor conhecimento.
É já muito tarde para evitar os prejuízos causados por décadas de políticas irresponsáveis. Mas talvez seja possível remediar alguns males.
Parece haver no governo português um responsável com vontade de fazer alguma coisa neste domínio: o Ministro Álvaro Santos Pereira.
Depois de meses a fio asfixiado pela ditadura imposta pelo seu homólogo das Finanças, o Ministro da Economia e do Emprego está a conseguir finalmente afirmar publicamente as suas ideias. E depois de tanto tempo aparentemente divorciado dos problemas da realidade industrial portuguesa, o referido Ministro parece ter afinal algumas boas ideias sobre o assunto.
Antes tarde do que nunca! E seja bem vindo Senhor Ministro!
O país precisa de consolidar uma indústria transformadora forte. E para esse efeito, é fundamental um Ministro da Economia que conheça a indústria, que se identifique com os empresários e empreendedores e que inclusivamente tenha coragem de fazer frente ao Terreiro do Paço e a outros poderes inibidores da atividade empresarial.
Já tivemos oportunidade de dizer publicamente que o atual governo português tem excesso de finanças e défice de economia.
O Ministro da Economia parece querer dar-nos a esperança de poder vir a equilibrar essa contabilidade. Esperamos pois que não defraude as nossas expectativas e que seja consequente no seu propósito de ajudar a reindustrializar o país.
Para esse efeito é vital que visite as empresas, que fale com os empresários e que se articule com as associações.
Enquanto empresas, empresários e associações, conseguiremos seguramente contribuir com sugestões práticas importantes que o ajudarão a implementar as medidas mais ajustadas às necessidades do país.
E é caso para dizer diretamente ao Senhor Ministro: ajude-nos a ajudá-lo que o país irá agradecer!
O Presidente da Direção
Aníbal Campos"
segunda-feira, 18 de março de 2013
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Estamos a perder os nossos ativos humanos
Na edição n.º 203 da revista “TecnoMetal”, o presidente da direção da AIMMAP e diretor da revista, Aníbal Campos, no seu editorial, chamou a atenção para um facto altamente inquietante para as empresas e para a economia portuguesa em geral.
Concretamente, referiu-se à fuga para o estrangeiro de jovens licenciados e trabalhadores qualificados de que as nossas empresas necessitam.
Lamentou particularmente a circunstância de tal situação estar a começar a envolver trabalhadores que já estavam empregados em Portugal mas que ainda assim preferem procurar um futuro melhor em empresas estrangeiras.
Tendo em conta a pertinência e a importância das palavras do presidente da AIMMAP, transcreve-se nas linhas subsequentes o referido editorial.
"Fuga de quadros e trabalhadores qualificados
É sabido que Portugal está a assistir desde há alguns anos a mais uma vaga de emigração.
Tendo sido Portugal, ao longo de várias décadas do século XX, um país marcado pela emigração, esta nova vaga não mereceria por si só uma grande reflexão.
Porém, a verdade é que desta vez há fatores e circunstâncias que são novos e geram preocupação acrescida.
No passado, os portugueses que emigravam eram pessoas normalmente com muito poucas qualificações que estavam disponíveis para trabalhos duros e mesmo violentos no sentido de fugir à pobreza.
Já a nova emigração, passou a ser constituída maioritariamente por jovens licenciados, que não encontram no país nem emprego, nem esperança.
Naturalmente, a fuga de cérebros em cuja formação Portugal havia investido tem de nos preocupar enquanto país e enquanto economia.
Mas pode aceitar-se os argumentos daqueles que defendem haver algumas vantagens resultantes da situação em causa. Nomeadamente, que o fenómeno contribui para reduzir o desemprego jovem em Portugal e que irá propiciar a criação de uma rede de inteligência portuguesa nos diversos cantos do mundo desenvolvido. E ainda que esses jovens irão regressar quando a situação económica do país melhorar, podendo então contribuir para a riqueza do país não só com aquilo foi o objeto da sua formação em Portugal como ainda com a experiência adquirida em boas empresas no exterior.
Sucede porém que, nos últimos tempos, este fenómeno está a sofrer ajustamentos altamente inquietantes. E já não emigram apenas os licenciados desempregados ou à procura do primeiro emprego.
Na verdade, temos conhecimento – inclusivamente em empresas do setor metalúrgico e metalomecânico -, de várias situações em que jovens quadros ou trabalhadores altamente qualificados se despediram e foram trabalhar para o estrangeiro.
Este é seguramente o ponto mais baixo a que a uma economia dita desenvolvida pode chegar. O ambiente em que vivemos não atrai minimamente os quadros e técnicos de que necessitamos. E nem sequer cria condições para manter os que cá estão.
Pelo contrário, repele aqueles que mais falta fazem às nossas empresas: jovens quadros ou trabalhadores qualificados com alguma formação já feita na empresa e nos quais muito se apostava.
A razão invocada pelos nossos colaboradores que se despedem em direção à emigração é arrasadora. Não se trata apenas de ir ganhar mais dinheiro, mas sim de procurar uma carga fiscal menos pesada e mais previsível.
Em Portugal a carga fiscal é cada vez mais violenta. E como se isso não bastasse as regras estão sempre a mudar, sendo cada vez mais penalizadoras de quem cria riqueza. Pelo que, naturalmente, ninguém terá legitimidade moral para censurar aqueles que não estão dispostos a aceitar trabalhar nesse ambiente hostil e têm ainda a energia e a força suficientes para emigrar.
Mas no final do dia, todo o nosso país vai pagar uma fatura tremenda por causa desta fuga de quadros e trabalhadores qualificados.
As empresas já estão a sentir o anúncio dessa fatura. Perdem os seus quadros do futuro e não os conseguem substituir, uma vez que aqueles que eventualmente teriam capacidade para isso já emigraram também.
Se este fenómeno se agravar vamos seguramente descapitalizar as empresas portuguesas dos seus mais importantes ativos humanos. E nessa altura, mesmo que contra todas as expectativas a receita imposta pela troika venha a ter sucesso, ariscamo-nos a ficar com um orçamento equilibrado mas sem economia. Ao contrário do que se anda dizer, nós não vamos empobrecer. Vamos pura e simplesmente definhar!
O Presidente da Direção
Aníbal Campos"
Concretamente, referiu-se à fuga para o estrangeiro de jovens licenciados e trabalhadores qualificados de que as nossas empresas necessitam.
Lamentou particularmente a circunstância de tal situação estar a começar a envolver trabalhadores que já estavam empregados em Portugal mas que ainda assim preferem procurar um futuro melhor em empresas estrangeiras.
Tendo em conta a pertinência e a importância das palavras do presidente da AIMMAP, transcreve-se nas linhas subsequentes o referido editorial.
"Fuga de quadros e trabalhadores qualificados
É sabido que Portugal está a assistir desde há alguns anos a mais uma vaga de emigração.
Tendo sido Portugal, ao longo de várias décadas do século XX, um país marcado pela emigração, esta nova vaga não mereceria por si só uma grande reflexão.
Porém, a verdade é que desta vez há fatores e circunstâncias que são novos e geram preocupação acrescida.
No passado, os portugueses que emigravam eram pessoas normalmente com muito poucas qualificações que estavam disponíveis para trabalhos duros e mesmo violentos no sentido de fugir à pobreza.
Já a nova emigração, passou a ser constituída maioritariamente por jovens licenciados, que não encontram no país nem emprego, nem esperança.
Naturalmente, a fuga de cérebros em cuja formação Portugal havia investido tem de nos preocupar enquanto país e enquanto economia.
Mas pode aceitar-se os argumentos daqueles que defendem haver algumas vantagens resultantes da situação em causa. Nomeadamente, que o fenómeno contribui para reduzir o desemprego jovem em Portugal e que irá propiciar a criação de uma rede de inteligência portuguesa nos diversos cantos do mundo desenvolvido. E ainda que esses jovens irão regressar quando a situação económica do país melhorar, podendo então contribuir para a riqueza do país não só com aquilo foi o objeto da sua formação em Portugal como ainda com a experiência adquirida em boas empresas no exterior.
Sucede porém que, nos últimos tempos, este fenómeno está a sofrer ajustamentos altamente inquietantes. E já não emigram apenas os licenciados desempregados ou à procura do primeiro emprego.
Na verdade, temos conhecimento – inclusivamente em empresas do setor metalúrgico e metalomecânico -, de várias situações em que jovens quadros ou trabalhadores altamente qualificados se despediram e foram trabalhar para o estrangeiro.
Este é seguramente o ponto mais baixo a que a uma economia dita desenvolvida pode chegar. O ambiente em que vivemos não atrai minimamente os quadros e técnicos de que necessitamos. E nem sequer cria condições para manter os que cá estão.
Pelo contrário, repele aqueles que mais falta fazem às nossas empresas: jovens quadros ou trabalhadores qualificados com alguma formação já feita na empresa e nos quais muito se apostava.
A razão invocada pelos nossos colaboradores que se despedem em direção à emigração é arrasadora. Não se trata apenas de ir ganhar mais dinheiro, mas sim de procurar uma carga fiscal menos pesada e mais previsível.
Em Portugal a carga fiscal é cada vez mais violenta. E como se isso não bastasse as regras estão sempre a mudar, sendo cada vez mais penalizadoras de quem cria riqueza. Pelo que, naturalmente, ninguém terá legitimidade moral para censurar aqueles que não estão dispostos a aceitar trabalhar nesse ambiente hostil e têm ainda a energia e a força suficientes para emigrar.
Mas no final do dia, todo o nosso país vai pagar uma fatura tremenda por causa desta fuga de quadros e trabalhadores qualificados.
As empresas já estão a sentir o anúncio dessa fatura. Perdem os seus quadros do futuro e não os conseguem substituir, uma vez que aqueles que eventualmente teriam capacidade para isso já emigraram também.
Se este fenómeno se agravar vamos seguramente descapitalizar as empresas portuguesas dos seus mais importantes ativos humanos. E nessa altura, mesmo que contra todas as expectativas a receita imposta pela troika venha a ter sucesso, ariscamo-nos a ficar com um orçamento equilibrado mas sem economia. Ao contrário do que se anda dizer, nós não vamos empobrecer. Vamos pura e simplesmente definhar!
O Presidente da Direção
Aníbal Campos"
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Estimular a Inovação
No editorial da edição n.º 202 da revista “TecnoMetal”, o presidente da direção da AIMMAP e diretor da revista, Aníbal Campos, alertou para o facto de o nosso país estar a conseguir captar muito pouco financiamento comunitário para apoio à Inovação.
Denunciou ainda o facto de a definição conceptual de Inovação ser frequentemente encarada em Portugal de uma forma altamente restritiva.
Considerando a acuidade do tema abordado, transcreve-se nas linhas subsequentes o referido editorial.
Foi recentemente anunciado que o estado português tem sido, nos últimos tempos, um dos países com melhor execução dos fundos do QREN.
Esta é seguramente uma boa notícia que além disso não deixa de ser surpreendente face à perceção que havia sobre o assunto.
E quanto a isso, há pois que dar os parabéns às entidades que em Portugal intervêm na gestão dos fundos em causa.
Apesar de tudo se analisarmos todos os números neste âmbito com algum detalhe, constataremos que em algumas matérias há muitas coisas a melhorar. E uma dessas é claramente a questão da Inovação.
Há muito tempo que Portugal deixou de poder competir nos mercados globais com base em políticas de preços baixos. Nesse sentido, a aposta tem sido a de produzir e vender cada vez mais produtos com maior valor acrescentado.
No nosso setor, essa evolução tem sido muito clara, sendo visível o investimento efetuado pelas empresas nos chamados fatores de diferenciação.
A aposta na Inovação é seguramente uma das mais importantes que as empresas nacionais poderão fazer nesse processo de alteração do seu posicionamento no mercado.
Em todo o caso, como é sabido, o investimento em Inovação – aí compreendida a Investigação e Desenvolvimento -, implica para as empresas um forte esforço financeiro.
No atual contexto de crise, em que as empresas em geral se confrontam com graves dificuldades no acesso ao financiamento, a margem que sobra para investimento em Inovação é por vezes residual.
Consequentemente, é verdadeiramente fundamental que as empresas portuguesas e o país em geral obtenham cada vez mais financiamento comunitário para fazer face a tais necessidades de investimento.
Seria pois expectável que esse trabalho de captação de fundos para uma área que é verdadeiramente estratégica estivesse a ser feito de forma consistente.
Sucede que, analisados os números neste âmbito, confrontamo-nos com conclusões que chegam a ser quase chocantes.
Na verdade, em sede de Inovação, o nosso país está a ser atualmente contribuinte líquido no seio da União Europeia. Ou seja, a contribuição financeira do país nesse âmbito é quantitativamente superior aos montantes que capta de financiamento comunitário no mesmo domínio.
Isto implica que Portugal está a apoiar o investimento em Inovação dos outros países da União Europeia num valor que é superior à ajuda que recebe.
Sendo Portugal um dos países mais debilitados da UE e também um daqueles em que a cultura de Inovação se encontra menos disseminada aos mais variados níveis, aquela constatação suscita a maior perplexidade.
Impõe-se assim que se faça alguma coisa de concreto no sentido de inverter esta realidade.
A primeira coisa a fazer passará necessariamente por desafiar as empresas a submeterem cada vez mais os seus projetos de Inovação a financiamento comunitário.
Para tanto, compromete-se a AIMMAP continuar e mesmo reforçar o trabalho que tem desenvolvido nesse domínio, seja diretamente, seja através das entidades em que está envolvida como o CATIM, a PRODUTECH ou o INEGI, entre outros.
Outra intervenção fundamental passa por uma redefinição das políticas públicas de incentivo à Inovação, as quais continuam, do ponto de vista conceptual, a ser altamente restritivas. A indústria portuguesa é constituída por uma maioria esmagadora de micro, pequenas e médias empresas. Não obstante, em Portugal os modelos idealizados nesse âmbito adequam-se preferencialmente à realidade das grandes empresas, as quais, conforme é sabido, são uma pequena minoria do nosso tecido empresarial.
Com todo o respeito que é devido ao trabalho desenvolvido aos mais diversos níveis pelas grandes empresas, há todavia que assumir a coragem de ajustar as políticas de incentivo à Inovação à realidade das PME’s.
Há que reconhecer os esforços desenvolvidos diariamente pelas PME’s no sentido de inovarem em novos produtos, em novos processos de fabrico ou mesmo em novos paradigmas de organização.
Há que ter a consciência de que, nas PME’s, a Inovação jamais poderá ser um departamento estanque das organizações, estando sim integrada de uma forma incindível em tudo o que é feito no dia-a-dia.
Há que estimular e reconhecer os avanços efetuados nesse domínio por pequenos empresários e respetivos trabalhadores.
E, mais ainda, há também que sensibilizar as empresas e o Estado para a enorme amplitude do próprio conceito de Inovação.
Finalmente, importa continuar a apostar numa crescente aproximação entre as empresas e as universidades. E interessa igualmente explicar com pragmatismo que a Investigação não se reduz à investigação científica e tecnológica da mesma forma que a Inovação não se cinge à inovação tecnológica.
O Presidente da Direção
Aníbal Campos"
Denunciou ainda o facto de a definição conceptual de Inovação ser frequentemente encarada em Portugal de uma forma altamente restritiva.
Considerando a acuidade do tema abordado, transcreve-se nas linhas subsequentes o referido editorial.
"Financiamento comunitário à Inovação
Foi recentemente anunciado que o estado português tem sido, nos últimos tempos, um dos países com melhor execução dos fundos do QREN.
Esta é seguramente uma boa notícia que além disso não deixa de ser surpreendente face à perceção que havia sobre o assunto.
E quanto a isso, há pois que dar os parabéns às entidades que em Portugal intervêm na gestão dos fundos em causa.
Apesar de tudo se analisarmos todos os números neste âmbito com algum detalhe, constataremos que em algumas matérias há muitas coisas a melhorar. E uma dessas é claramente a questão da Inovação.
Há muito tempo que Portugal deixou de poder competir nos mercados globais com base em políticas de preços baixos. Nesse sentido, a aposta tem sido a de produzir e vender cada vez mais produtos com maior valor acrescentado.
No nosso setor, essa evolução tem sido muito clara, sendo visível o investimento efetuado pelas empresas nos chamados fatores de diferenciação.
A aposta na Inovação é seguramente uma das mais importantes que as empresas nacionais poderão fazer nesse processo de alteração do seu posicionamento no mercado.
Em todo o caso, como é sabido, o investimento em Inovação – aí compreendida a Investigação e Desenvolvimento -, implica para as empresas um forte esforço financeiro.
No atual contexto de crise, em que as empresas em geral se confrontam com graves dificuldades no acesso ao financiamento, a margem que sobra para investimento em Inovação é por vezes residual.
Consequentemente, é verdadeiramente fundamental que as empresas portuguesas e o país em geral obtenham cada vez mais financiamento comunitário para fazer face a tais necessidades de investimento.
Seria pois expectável que esse trabalho de captação de fundos para uma área que é verdadeiramente estratégica estivesse a ser feito de forma consistente.
Sucede que, analisados os números neste âmbito, confrontamo-nos com conclusões que chegam a ser quase chocantes.
Na verdade, em sede de Inovação, o nosso país está a ser atualmente contribuinte líquido no seio da União Europeia. Ou seja, a contribuição financeira do país nesse âmbito é quantitativamente superior aos montantes que capta de financiamento comunitário no mesmo domínio.
Isto implica que Portugal está a apoiar o investimento em Inovação dos outros países da União Europeia num valor que é superior à ajuda que recebe.
Sendo Portugal um dos países mais debilitados da UE e também um daqueles em que a cultura de Inovação se encontra menos disseminada aos mais variados níveis, aquela constatação suscita a maior perplexidade.
Impõe-se assim que se faça alguma coisa de concreto no sentido de inverter esta realidade.
A primeira coisa a fazer passará necessariamente por desafiar as empresas a submeterem cada vez mais os seus projetos de Inovação a financiamento comunitário.
Para tanto, compromete-se a AIMMAP continuar e mesmo reforçar o trabalho que tem desenvolvido nesse domínio, seja diretamente, seja através das entidades em que está envolvida como o CATIM, a PRODUTECH ou o INEGI, entre outros.
Outra intervenção fundamental passa por uma redefinição das políticas públicas de incentivo à Inovação, as quais continuam, do ponto de vista conceptual, a ser altamente restritivas. A indústria portuguesa é constituída por uma maioria esmagadora de micro, pequenas e médias empresas. Não obstante, em Portugal os modelos idealizados nesse âmbito adequam-se preferencialmente à realidade das grandes empresas, as quais, conforme é sabido, são uma pequena minoria do nosso tecido empresarial.
Com todo o respeito que é devido ao trabalho desenvolvido aos mais diversos níveis pelas grandes empresas, há todavia que assumir a coragem de ajustar as políticas de incentivo à Inovação à realidade das PME’s.
Há que reconhecer os esforços desenvolvidos diariamente pelas PME’s no sentido de inovarem em novos produtos, em novos processos de fabrico ou mesmo em novos paradigmas de organização.
Há que ter a consciência de que, nas PME’s, a Inovação jamais poderá ser um departamento estanque das organizações, estando sim integrada de uma forma incindível em tudo o que é feito no dia-a-dia.
Há que estimular e reconhecer os avanços efetuados nesse domínio por pequenos empresários e respetivos trabalhadores.
E, mais ainda, há também que sensibilizar as empresas e o Estado para a enorme amplitude do próprio conceito de Inovação.
Finalmente, importa continuar a apostar numa crescente aproximação entre as empresas e as universidades. E interessa igualmente explicar com pragmatismo que a Investigação não se reduz à investigação científica e tecnológica da mesma forma que a Inovação não se cinge à inovação tecnológica.
O Presidente da Direção
Aníbal Campos"
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Sempre tarde e a más horas
Na edição n.º 201 da revista “TecnoMetal”,no respetivo editorial, Aníbal Campos, presidente da direção da AIMMAP e diretor da revista, lembrou uma característica verdadeiramente típica dos portugueses.
Com efeito, não há dúvida de que a sina dos nossos compatriotas parece ser sempre a de tentar andar a reboque dos acontecimentos e reagir aos factos quando já é irremediavelmente tarde.
Por isso mesmo, nesta sua intervenção, referiu o presidente da direção da AIMMAP que andamos sempre a correr atrás do prejuízo.
Foi exatamente o que agora sucedeu com as medidas referentes ao corte de excessos de custos energéticos bem como à alteração do regime de licenciamento industrial.
Atendendo à importância do assunto em questão, transcreve-se nas linhas subsequentes o editorial em causa.
"Sempre a correr atrás do prejuízo
Foi anunciado que o governo irá cortar 170 a 190 milhões nos custos anuais da produção elétrica.
Esta é a concretização de uma das medidas preconizadas pela troika, a qual tinha chamado a atenção para o efeito negativo na economia dos excessos de apoios do estado português aos produtores de energia elétrica.
Segundo o Ministro da Economia, estas medidas deverão representar um corte de cerca de 1800 milhões de euros nos custos previstos para o setor elétrico até 2020, ou seja, poupanças de 40% face aos custos que estavam previstos.
Manifestamente, é estranho que a margem para cortar custos fosse tão ampla. E é legítimo concluir que andámos este tempo todo a gastar muito mais do que seria suposto.
O que se verifica é que apenas quando o país está verdadeiramente com a corda na garganta que os responsáveis políticos têm a coragem de reduzir custos que afinal são supérfluos.
Esta parece ser mesmo a nossa sina. Andamos sempre a correr atrás do prejuízo. E nunca conseguimos mudar o que está mal por inteligência mas sim apenas por necessidade ou até mesmo por cosmética.
Ainda recentemente tivemos um exemplo semelhante com a reforma do licenciamento do industrial, a qual, sendo uma medida positiva, não deixa ainda assim de ser tardia e descontextualizada. Na verdade, quando tínhamos dinheiro para investir, as burocracias impediam-nos de o fazer. E só quando não há crédito para suportar os nossos investimentos é que nos aliviam finalmente a carga burocrática.
Salvas as devidas proporções, este caso tem algumas similitudes. Quando tínhamos condições para ser mais competitivos, carregavam-nos com custos desnecessários. E só quando estamos verdadeiramente asfixiados é que nos poupam ao excesso de custos.
Não se pense que estamos contra as medidas aqui em causa ou que criticamos este governo em especial pelo que fez no âmbito destas duas medidas. Apenas lamentamos que neste país nunca se seja capaz de atuar nos momentos certos e que algumas medidas apontadas durante anos como fundamentais para a economia só sejam concretizadas quando o respetivo impacto acaba por ser pouco mais do que residual.
Independentemente do exposto, relativamente à questão concreta dos cortes nos custos anuais da produção elétrica, há aqui um outro dado que, no mínimo, nos deve merecer a maior atenção.
Com efeito, a previsão do governo é a de que a redução do peso destes custos na fatura irá ser de 5%. O que, para um leigo menos desconfiado deveria corresponder a uma diminuição do preço da energia elétrica nessa mesma percentagem.
Porém, segundo foi anunciado pelos jornais, o Secretário de Estado da Energia veio já dizer que aquela redução não significa que a fatura elétrica deixe de subir, uma vez que, passa a citar-se, “a evolução dos preços depende do mercado e do regulador.”
Perante estas afirmações, a minha experiência permite-me desde já arriscar uma previsão: os preços da energia elétrica não irão descer e é até provável que continuem a aumentar. E nem as empresas nem as famílias irão beneficiar minimamente destas medidas. Pode ser – e espero -, que me engane. Mas daqui a um ano estaremos aqui para fazer um balanço.
O Presidente da Direção
Aníbal Campos"
Com efeito, não há dúvida de que a sina dos nossos compatriotas parece ser sempre a de tentar andar a reboque dos acontecimentos e reagir aos factos quando já é irremediavelmente tarde.
Por isso mesmo, nesta sua intervenção, referiu o presidente da direção da AIMMAP que andamos sempre a correr atrás do prejuízo.
Foi exatamente o que agora sucedeu com as medidas referentes ao corte de excessos de custos energéticos bem como à alteração do regime de licenciamento industrial.
Atendendo à importância do assunto em questão, transcreve-se nas linhas subsequentes o editorial em causa.
"Sempre a correr atrás do prejuízo
Foi anunciado que o governo irá cortar 170 a 190 milhões nos custos anuais da produção elétrica.
Esta é a concretização de uma das medidas preconizadas pela troika, a qual tinha chamado a atenção para o efeito negativo na economia dos excessos de apoios do estado português aos produtores de energia elétrica.
Segundo o Ministro da Economia, estas medidas deverão representar um corte de cerca de 1800 milhões de euros nos custos previstos para o setor elétrico até 2020, ou seja, poupanças de 40% face aos custos que estavam previstos.
Manifestamente, é estranho que a margem para cortar custos fosse tão ampla. E é legítimo concluir que andámos este tempo todo a gastar muito mais do que seria suposto.
O que se verifica é que apenas quando o país está verdadeiramente com a corda na garganta que os responsáveis políticos têm a coragem de reduzir custos que afinal são supérfluos.
Esta parece ser mesmo a nossa sina. Andamos sempre a correr atrás do prejuízo. E nunca conseguimos mudar o que está mal por inteligência mas sim apenas por necessidade ou até mesmo por cosmética.
Ainda recentemente tivemos um exemplo semelhante com a reforma do licenciamento do industrial, a qual, sendo uma medida positiva, não deixa ainda assim de ser tardia e descontextualizada. Na verdade, quando tínhamos dinheiro para investir, as burocracias impediam-nos de o fazer. E só quando não há crédito para suportar os nossos investimentos é que nos aliviam finalmente a carga burocrática.
Salvas as devidas proporções, este caso tem algumas similitudes. Quando tínhamos condições para ser mais competitivos, carregavam-nos com custos desnecessários. E só quando estamos verdadeiramente asfixiados é que nos poupam ao excesso de custos.
Não se pense que estamos contra as medidas aqui em causa ou que criticamos este governo em especial pelo que fez no âmbito destas duas medidas. Apenas lamentamos que neste país nunca se seja capaz de atuar nos momentos certos e que algumas medidas apontadas durante anos como fundamentais para a economia só sejam concretizadas quando o respetivo impacto acaba por ser pouco mais do que residual.
Independentemente do exposto, relativamente à questão concreta dos cortes nos custos anuais da produção elétrica, há aqui um outro dado que, no mínimo, nos deve merecer a maior atenção.
Com efeito, a previsão do governo é a de que a redução do peso destes custos na fatura irá ser de 5%. O que, para um leigo menos desconfiado deveria corresponder a uma diminuição do preço da energia elétrica nessa mesma percentagem.
Porém, segundo foi anunciado pelos jornais, o Secretário de Estado da Energia veio já dizer que aquela redução não significa que a fatura elétrica deixe de subir, uma vez que, passa a citar-se, “a evolução dos preços depende do mercado e do regulador.”
Perante estas afirmações, a minha experiência permite-me desde já arriscar uma previsão: os preços da energia elétrica não irão descer e é até provável que continuem a aumentar. E nem as empresas nem as famílias irão beneficiar minimamente destas medidas. Pode ser – e espero -, que me engane. Mas daqui a um ano estaremos aqui para fazer um balanço.
O Presidente da Direção
Aníbal Campos"
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Conceção do novo quadro comunitário de apoio
No editorial da edição n.º 200 da revista “TecnoMetal”, o presidente da direção da AIMMAP alertou para o facto de ser necessário que o governo se articule de forma efetiva com as organizações empresariais na preparação do quadro comunitário de apoio para o período de 2014 a 2020.
Tendo em conta a pertinência do tema, transcreve-se em seguida o referido editorial.
"A preparação do novo quadro comunitário de apoio
O governo português está atualmente a preparar o futuro quadro comunitário de apoio, para o período de 2014 a 2020.
Naturalmente, este assunto integra matéria de especial complexidade e melindre e que envolverá inevitavelmente, em determinados domínios, pelo menos nesta fase, alguma cautela na sua divulgação ao grande público.
Admito que haja inclusivamente determinados temas que terão de ser negociados pelo governo português junto da Comissão Europeia com uma dose acrescida de sigilo.
Essa eventual necessidade de sigilo não pode vir porém a traduzir-se em secretismo.
Como é evidente, o governo não sabe tudo sobre tudo. Pelo que é fundamental que tenha o cuidado de envolver um vasto conjunto de parceiros na conceção da estratégia que pretenderá implementar para que o país possa beneficiar dos fundos comunitários de uma forma eficaz e catalisadora da economia.
Não é sequer concebível que o governo de um país como Portugal tencione concentrar em si mesmo todas as responsabilidades e competências numa matéria como esta. E que, nomeadamente, ignore em tal domínio as empresas e as associações que as representam.
Sucede que, até ao momento, parece-nos que o governo não está a ouvir nem a consultar ninguém. E que está a avançar sozinho neste processo fundamental para o país.
Estamos certos de que o governo vai ainda ter oportunidade de escutar as mais diversas organizações empresariais na preparação do novo quadro de apoio. Mas não há dúvidas de que já irá tarde.
No passado, este tipo de posturas de anteriores governos em situações idênticas conduziram ao desaparecimento do setor das pescas, ao enfraquecimento da agricultura e ao desmantelamento de uma parte substancial da indústria.
Estamos atualmente a viver os efeitos dessas verdadeiras calamidades. Pelo que seria muito avisado que o atual governo português refletisse bem nos erros daqueles que o procederam na condução dos destinos do país.
Há matérias que, pela sua importância, não podem ficar apenas nas mãos dos políticos. Há mais gente a saber pensar e a projetar o futuro. E além disso, há quem conheça muito melhor o país em que vivemos.
Desperdiçar nesta matéria o contributo de quem poderá ter uma palavra útil a dizer, seria seguramente mais um erro histórico a acrescentar à sucessão de imprudências que se foram avolumando em quase 30 anos de integração europeia.
Não obstante o exposto, tenho de reconhecer – o que faço com gosto -, que há sinais positivos na ação governativa. E a notável entrevista que o Secretário de Estado Carlos Oliveira concedeu a esta edição da TecnoMetal, e que os nossos leitores têm pois a oportunidade de analisar, é seguramente um excelente exemplo para ilustrar essa minha afirmação.
O Presidente da Direção
Aníbal Campos"
Tendo em conta a pertinência do tema, transcreve-se em seguida o referido editorial.
"A preparação do novo quadro comunitário de apoio
O governo português está atualmente a preparar o futuro quadro comunitário de apoio, para o período de 2014 a 2020.
Naturalmente, este assunto integra matéria de especial complexidade e melindre e que envolverá inevitavelmente, em determinados domínios, pelo menos nesta fase, alguma cautela na sua divulgação ao grande público.
Admito que haja inclusivamente determinados temas que terão de ser negociados pelo governo português junto da Comissão Europeia com uma dose acrescida de sigilo.
Essa eventual necessidade de sigilo não pode vir porém a traduzir-se em secretismo.
Como é evidente, o governo não sabe tudo sobre tudo. Pelo que é fundamental que tenha o cuidado de envolver um vasto conjunto de parceiros na conceção da estratégia que pretenderá implementar para que o país possa beneficiar dos fundos comunitários de uma forma eficaz e catalisadora da economia.
Não é sequer concebível que o governo de um país como Portugal tencione concentrar em si mesmo todas as responsabilidades e competências numa matéria como esta. E que, nomeadamente, ignore em tal domínio as empresas e as associações que as representam.
Sucede que, até ao momento, parece-nos que o governo não está a ouvir nem a consultar ninguém. E que está a avançar sozinho neste processo fundamental para o país.
Estamos certos de que o governo vai ainda ter oportunidade de escutar as mais diversas organizações empresariais na preparação do novo quadro de apoio. Mas não há dúvidas de que já irá tarde.
No passado, este tipo de posturas de anteriores governos em situações idênticas conduziram ao desaparecimento do setor das pescas, ao enfraquecimento da agricultura e ao desmantelamento de uma parte substancial da indústria.
Estamos atualmente a viver os efeitos dessas verdadeiras calamidades. Pelo que seria muito avisado que o atual governo português refletisse bem nos erros daqueles que o procederam na condução dos destinos do país.
Há matérias que, pela sua importância, não podem ficar apenas nas mãos dos políticos. Há mais gente a saber pensar e a projetar o futuro. E além disso, há quem conheça muito melhor o país em que vivemos.
Desperdiçar nesta matéria o contributo de quem poderá ter uma palavra útil a dizer, seria seguramente mais um erro histórico a acrescentar à sucessão de imprudências que se foram avolumando em quase 30 anos de integração europeia.
Não obstante o exposto, tenho de reconhecer – o que faço com gosto -, que há sinais positivos na ação governativa. E a notável entrevista que o Secretário de Estado Carlos Oliveira concedeu a esta edição da TecnoMetal, e que os nossos leitores têm pois a oportunidade de analisar, é seguramente um excelente exemplo para ilustrar essa minha afirmação.
O Presidente da Direção
Aníbal Campos"
quarta-feira, 16 de maio de 2012
A respeito do papel dos polos de competitividade e dos clusters
No editorial da edição n.º 199 da revista “TecnoMetal”, o Presidente da Direcção da AIMMAP chamou a atenção para o facto de os polos de competitividade e os clusters terem uma função na sociedade portuguesa que não pode nem deve colidir com as competências tradicionais das associações empresariais e de empregadores.
Além disso, desincentivou as eventuais tentações dirigistas do estado português no domínio da gestão dos referidos polos e clusters.
Considerando a importância do assunto, transcreve-se em seguida o referido editorial.
Tal como o governo anterior, também o atual parece querer apostar no desenvolvimento dos chamados clusters e polos de competitividade.
Em termos conceptuais, a ideia é boa e tem todas as condições para, se mais não for, potenciar a cooperação e a criação de sinergias entre as empresas.
Inclusivamente, ao longo dos poucos anos que os polos de competitividade levam de atividade, têm surgido no seu âmbito alguns projetos interessantes para a economia nacional.
A AIMMAP não tem quaisquer preconceitos relativamente a esse tipo de estruturas associativas. Aliás, é sócia fundadora e membro empenhado da PRODUTECH, a associação que gere o pólo de competitividade das tecnologias de produção, também designado PRODUTECH.
O referido polo tem prestado serviços relevantes à indústria, apoiando a internacionalização das empresas e fomentando a inovação. Naturalmente, a AIMMAP está altamente empenhada em contribuir para a consolidação do papel da PRODUTECH como verdadeira entidade dinamizadora da indústria portuguesa.
Não faz porém qualquer sentido que se pretenda confundir o papel dos clusters e dos polos de competitividade na sociedade portuguesa com as competências que desde há muitos anos são desenvolvidas pelas associações empresariais em geral e as associações de empregadores em particular.
E não aceitamos de todo que alguns governantes pretendam instrumentalizar aqueles clusters e polos no sentido de, através deles, tentarem desvalorizar a importância das associações de empregadores.
Infelizmente, parece ser isso que está a suceder. E há quem, sentindo-se incomodado com a voz livre e independente das associações, quer abafar a sua atividade substituindo-a por um reforço do papel desenvolvido pelos polos de competitividade.
Esse é todavia um tremendo erro estratégico. Os polos e os clusters devem respeitar a sua vocação e centrar a sua atividade em domínios bem delimitados, dinamizando a cooperação entre as empresas, potenciando a execução de projetos conjuntos entre elas e contribuindo para o fomento da inovação.Mas não devem nem podem imiscuir-se nas tarefas e atribuições das associações de empregadores. E nesse sentido, é verdadeiramente intolerável que ousem falar em nome dos setores de atividade ou das regiões, o que é uma competência exclusiva e inalienável das associações empresariais e de empregadores.
Mais grave ainda é que seja o poder político a querer forçar os polos a assumirem esse papel. Mas é bom que se saiba que o movimento associativo não o aceitará.
Independentemente do exposto, há uma questão complementar que não pode deixar de ser enfatizada. Qualquer que seja a função dos polos de competitividade, uma coisa terá de ser certa: os seus dirigentes têm de ser eleitos por empresários e jamais poderão ser nomeados politicamente. E é fundamental que os governos – este ou os próximos -, se livrem totalmente de tal tentação.
O Presidente da Direcção
Aníbal Campos"
Além disso, desincentivou as eventuais tentações dirigistas do estado português no domínio da gestão dos referidos polos e clusters.
Considerando a importância do assunto, transcreve-se em seguida o referido editorial.
"Os clusters e os polos de competitividade
Tal como o governo anterior, também o atual parece querer apostar no desenvolvimento dos chamados clusters e polos de competitividade.
Em termos conceptuais, a ideia é boa e tem todas as condições para, se mais não for, potenciar a cooperação e a criação de sinergias entre as empresas.
Inclusivamente, ao longo dos poucos anos que os polos de competitividade levam de atividade, têm surgido no seu âmbito alguns projetos interessantes para a economia nacional.
A AIMMAP não tem quaisquer preconceitos relativamente a esse tipo de estruturas associativas. Aliás, é sócia fundadora e membro empenhado da PRODUTECH, a associação que gere o pólo de competitividade das tecnologias de produção, também designado PRODUTECH.
O referido polo tem prestado serviços relevantes à indústria, apoiando a internacionalização das empresas e fomentando a inovação. Naturalmente, a AIMMAP está altamente empenhada em contribuir para a consolidação do papel da PRODUTECH como verdadeira entidade dinamizadora da indústria portuguesa.
Não faz porém qualquer sentido que se pretenda confundir o papel dos clusters e dos polos de competitividade na sociedade portuguesa com as competências que desde há muitos anos são desenvolvidas pelas associações empresariais em geral e as associações de empregadores em particular.
E não aceitamos de todo que alguns governantes pretendam instrumentalizar aqueles clusters e polos no sentido de, através deles, tentarem desvalorizar a importância das associações de empregadores.
Infelizmente, parece ser isso que está a suceder. E há quem, sentindo-se incomodado com a voz livre e independente das associações, quer abafar a sua atividade substituindo-a por um reforço do papel desenvolvido pelos polos de competitividade.
Esse é todavia um tremendo erro estratégico. Os polos e os clusters devem respeitar a sua vocação e centrar a sua atividade em domínios bem delimitados, dinamizando a cooperação entre as empresas, potenciando a execução de projetos conjuntos entre elas e contribuindo para o fomento da inovação.Mas não devem nem podem imiscuir-se nas tarefas e atribuições das associações de empregadores. E nesse sentido, é verdadeiramente intolerável que ousem falar em nome dos setores de atividade ou das regiões, o que é uma competência exclusiva e inalienável das associações empresariais e de empregadores.
Mais grave ainda é que seja o poder político a querer forçar os polos a assumirem esse papel. Mas é bom que se saiba que o movimento associativo não o aceitará.
Independentemente do exposto, há uma questão complementar que não pode deixar de ser enfatizada. Qualquer que seja a função dos polos de competitividade, uma coisa terá de ser certa: os seus dirigentes têm de ser eleitos por empresários e jamais poderão ser nomeados politicamente. E é fundamental que os governos – este ou os próximos -, se livrem totalmente de tal tentação.
O Presidente da Direcção
Aníbal Campos"
sexta-feira, 2 de março de 2012
Dívidas do setor público
No editorial da edição n.º 198 da revista “TecnoMetal”, o Presidente da Direcção da AIMMAP alertou para o facto de as dívidas do setor público continuarem a crescer.
Sendo certo que a situação é profundamente preocupante, transcreve-se em seguida o referido editorial.
Sendo certo que a situação é profundamente preocupante, transcreve-se em seguida o referido editorial.
"O crescimento das dívidas do setor público
Apesar dos avisos da troika e de todos os esforços que o governo defende estar a desenvolver no sentido de reduzir o endividamento, as dívidas do setor público continuam a aumentar de forma assustadora.Segundo os dados constantes do Boletim de Execução Orçamental divulgado em janeiro último, as dívidas do setor público a fornecedores, por pagar há mais de 90 dias, cresceram 760 milhões de euros, o que correspondeu a um aumento de 15,6%.Relativamente ao último mês então disponível – novembro de 2011 -, o aumento mensal foi de 129 milhões de euros, o que se traduziu num crescimento de 2,3%.
Estes dados são altamente inquietantes, por um conjunto diversificado de motivos.
Em primeiro lugar porque parecem revelar que Portugal continua a falhar no cumprimento das metas que se propôs atingir no esforço de consolidação orçamental. Ao contrário do que seria suposto, pelo menos nesta importante rubrica o endividamento continua a aumentar.
Em segundo lugar, porque se o estado não paga, agravam-se as dificuldades dos fornecedores, os quais são na sua esmagadora maioria empresas privadas.
Finalmente, porque se o estado deve cada vez mais dinheiro, continuará a não poupar a banca, pressionando-a no sentido de se financiar. E se assim é, sabendo como se sabe que os recursos disponíveis da banca portuguesa são cada vez mais escassos, sobrará cada vez menos dinheiro para financiamento bancário às empresas privadas.
Do exposto resulta que não só as nossas finanças públicas poderão afinal estar cada vez mais debilitadas como também que a economia real continuará a sentir-se asfixiada pelo menos nos tempos mais próximos.
Parece que, apesar das severas medidas de austeridade a que o país tem estado sujeito, as finanças públicas estão longe de caminhar para o equilíbrio. E para além disso que o crescimento económico do país continua a ser uma miragem.
Visto isto, parece inevitável uma de duas conclusões possíveis. Ou a receita da troika foi mal concebida ou no mínimo estará a ser mal aviada.
Seria importante que o governo português esclarecesse muito bem estes dados tão inquietantes e que contribuísse de forma empenhada no sentido de dissipar as angústias que inevitavelmente assolam as cada vez mais perplexas empresas portuguesas, principalmente quando constatam estes números.
Seria trágico para o país que os agentes económicos suspeitassem de que o governo não tem a certeza do que está a fazer. Que apesar dos sacrifícios que nos impôs, o governo não está certo de que a receita acordada com a troika é adequada ou está a ser corretamente executada.Sobre essa questão tem o palavra o Primeiro Ministro. Não numa conversa de circunstância, mas sim num diálogo permanente com empresas, associações, sindicatos, consumidores e todos os agentes económicos em geral.
Queremos acreditar que o rumo seguido pelo governo é o correto. Mas para isso é fundamental que nos esclareçam e fundamentalmente que nos estimulem.
O Presidente da Direção
Aníbal Campos"
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