segunda-feira, 13 de abril de 2015

Mais e melhor internacionalização

Como tem sido amplamente divulgado, o ano de 2014 foi o melhor ano de sempre para o setor metalúrgico e metalomecânico no que ao valor de exportações diz respeito.

O setor não só exportou mais como também registou um crescimento assinalável no número de empresas que se internacionalizaram.

Este facto resulta, em primeiro lugar, do esforço das empresas mas também de uma estratégia combinada de fatores, de que a contratação de quadros qualificados, a prospeção de oportunidades ou a incorporação constante de inovação nos processos e nos produtos, são exemplo.

Aníbal Campos, Presidente da AIMMAP destaca ainda no seu editorial da TECNOMETAL, o papel das entidades de suporte, CATIM e CENFIM em conjunto com a AIMMAP, na concretização desta estratégia. Estas entidades têm sido essenciais para a estratégia de internacionalização das empresas.

Veja aqui o editorial completo do Presidente da AIMMAP

"Consolidar a internacionalização do setor metalúrgico e metalomecânico

Os excelentes resultados das exportações do setor metalúrgico e metalomecânico em 2014 surpreenderam muito boa gente eventualmente menos atenta à trajetória ascendente das vendas ao exterior da nossa indústria ao longo dos anos anteriores.
Na verdade, o ano de 2014 foi no domínio das exportações o melhor de sempre deste setor. Tal como tem sido profusamente divulgado nos mais diversos órgãos de comunicação social, a indústria metalúrgica e metalomecânica nacional exportou cerca de 13,8 mil milhões de euros, o que representou um crescimento de 9,6% face ao ano anterior.
A questão que muitos têm formulado a esse respeito é a de saber se o setor tem condições para continuar a crescer nessa vertente das exportações. Pelo que importaria deixar aqui registado o entendimento da AIMMAP.
Ora, o ano que recentemente findou destacou-se não só pelo facto de o volume de exportações ter crescido como também pelo facto de ter aumentado o número de empresas exportadoras.
Esse maior número de exportadores é resultado em primeiro lugar do trabalho das próprias empresas, as quais têm procurado dotar-se cada vez mais dos instrumentos indispensáveis para competir nos mercados de exportação.
Nomeadamente, em primeiro lugar há a registar um trabalho mais eficaz na prospeção de oportunidades e de potenciais clientes.
Por outro lado, sublinha-se a aposta na contratação de colaboradores mais qualificados para trabalhar a vertente do comércio exterior.
E finalmente, há uma aposta cada vez mais consolidada na incorporação de inovação nos próprios produtos que as empresas disponibilizam ao mercado.
Mas para além do trabalho efetuado diretamente pelas próprias empresas, releva neste domínio o trabalho das entidades de suporte existentes no setor.
A AIMMAP enquanto associação, o CATIM enquanto centro tecnológico, o CENFIM enquanto centro de formação e a CERTIF enquanto entidade certificadora, são excelentes exemplos de um trabalho dedicado e competente em prol da internacionalização das empresas do setor.
Todas essas entidades, na área ou áreas para as quais se encontram mais vocacionadas, têm efetivamente contribuído de forma decisiva para que as empresas se sintam mais esclarecidas quando decidem apostar na internacionalização.
Todo este ambiente é pois absolutamente propício para que cada vez mais empresas neste setor possam triunfar nos mercados externos.
E por isso mesmo, respondendo à questão que acima reproduzimos, a nossa convicção é a de que, efetivamente, há todas as condições para que o volume de vendas ao exterior das nossas empresas continue a crescer.
Em todo o caso, para que isso suceda efetivamente, é absolutamente necessário que prossigamos o esforço notável que temos desenvolvido ao longo dos últimos anos.
Mais do nunca, continuam bem presentes os três eixos prioritários do programa de candidatura da lista que liderei aos órgãos sociais da AIMMAP há já cerca de 5 anos: internacionalização, inovação e formação.
Na verdade, o fortalecimento do nosso setor passa necessariamente, em primeiro lugar, pela consolidação do processo de internacionalização de um número crescente de empresas. Aliás, o sucesso dessas empresas exportadoras será igualmente o sucesso das inúmeras empresas que são suas fornecedoras.
Mas por outro lado, esse processo de internacionalização, mais do que nunca, tem de ser alicerçado numa robusta aposta na inovação e na formação e qualificação dos nossos recursos humanos.
Esse é o caminho que preconizamos. Estamos certos de que as nossas empresas também já o apreenderam. E continuaremos, em profunda articulação com o CATIM e o CENFIM, a proporcionar às empresas as melhores ferramentas para que esse caminho seja trilhado com êxito.
O Presidente da Direção
Aníbal Campos"

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Investir em contraciclo: mais uma “inovação” do setor metalúrgico e metalomecânico

Num contexto económico e político particularmente adverso, o setor metalúrgico e metalomecânico tem-se destacado por continuar a investir, mesmo em contraciclo.

Nunca é demais lembrar que este é o setor que mais investe em inovação, em PI ou formação profissional, mas também em equipamentos e instalações, sempre com o objetivo da competitividade e reforço das exportações.
É este esforço das empresas que o Presidente da AIMMAP assinala no seu editorial da TECNOMETAL que os convidamos a ler e refletir aqui.


"Investimentos em contraciclo

A AIMMAP tem uma relação muito próxima com as empresas suas associadas, fazendo questão de as acompanhar, apoiar e estimular no âmbito das mais variadas iniciativas pelas mesmas implementadas.
Nesse contexto, a nossa associação é testemunha privilegiada do enorme empenho com que uma parte significativa das empresas do setor metalúrgico e metalomecânico tem procurado investir na sua modernização e também na sua diferenciação face à concorrência.
As nossas empresas têm efetivamente desenvolvido um trabalho ímpar em tal domínio. Continuando a assumir-se como o setor que mais investe em fatores imateriais como a inovação, a propriedade industrial ou a formação profissional, a indústria metalúrgica e metalomecânica tem-se também destacado cada vez mais por investimentos assinaláveis em novos equipamentos ou mesmo em instalações.
Inclusivamente, a própria comunicação social tem reconhecido esta performance muito positiva do setor, chamando frequentemente a atenção dos portugueses para os investimentos realizados pelas nossas empresas.
Tais investimentos seriam sempre, em qualquer circunstância, dignos de referência muito positiva.
Mas o que os torna especialmente relevantes é o facto de estarem a ser realizados num momento em que a economia portuguesa atravessa evidentes dificuldades.
Verifica-se assim que esse esforço das nossas empresas é efetuado verdadeiramente em contraciclo, num contexto económico e político particularmente adverso.
Ao enfatizar tal circunstância não pretendo de forma alguma sugerir qualquer espécie de vitimização do setor ou de reclamar que a nossa indústria está a sacrificar-se pelo país.
Pelo contrário, quero, sim, chamar a atenção para o facto de, pelo menos na nossa opinião, as nossas empresas estarem no caminho certo.
Desde há muito que a AIMMAP tem vindo a defender que a aposta na diferenciação é a estratégia mais adequada para o sucesso da indústria portuguesa.
E desde há muito também que a AIMMAP tem vindo a assumir que a consolidação da economia portuguesa passará inevitavelmente por um forte crescimento das nossas exportações.
De igual modo, temos vindo a sustentar com inequívoca assertividade que as duas questões atrás referenciadas se encontram absolutamente articuladas, uma vez que a concretização de projetos vencedores no domínio da internacionalização apenas será possível através de estratégias de diferenciação aos mais variados níveis.
As nossas empresas têm corporizado de forma brilhante essa estratégia. Cada vez mais se distinguem e diferenciam face à concorrência global. Em consequência, afirmam-se de forma crescente nos mercados a que se dirigem.
Mas tudo isso apenas tem vindo a ser possível em resultado da prévia realização de investimentos verdadeiramente estratégicos. Sem inovação ou propriedade industrial dificilmente haverá diferenciação. Sem novos equipamentos com maior incorporação tecnológica dificilmente serão cumpridos os patamares de qualidade exigidos pelos clientes a que a nossa indústria se dirige. Sem formação profissional adequada dificilmente poderemos aproveitar as potencialidades dos equipamentos. E sem inovação, formação, equipamentos e boas instalações dificilmente poderemos corresponder com qualidade às expectativas de quem compra português.
Espero sinceramente que 2015 seja um ano de consolidação desta aposta inequívoca no investimento por parte das empresas do setor metalúrgico e metalomecânico. Aliás, estou cada vez mais convicto de que esse é um caminho sem retorno.
O Presidente da Direção
Aníbal Campos"

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

EMAF – Mais do que uma feira das tecnologias de produção

As feiras industriais em Portugal (e no estrangeiro) podem já não ter o fulgor de outros tempos mas a EMAF continua a ser uma referência na Península Ibérica no domínio das tecnologias de produção.
 
Organizada pela AEP na EXPONOR e desde sempre com o forte apoio da AIMMAP, a EMAF é também uma feira de qualidade porque o subsector das tecnologias de produção, tal como o sector metalúrgico e metalomecânico, tem tido uma dinâmica e resiliência que o tornam como uma referência na indústria em Portugal.

É neste enquadramento que o Presidente da AIMMAP, Aníbal Campos, no seu editorial da Tecnometal, desafia os decisores políticos a visitarem a EMAF e a apostarem estrategicamente no subsector, tal como ele merece.
 
Veja aqui o editorial completo

"O mais importante certame português no domínio das tecnologias de produção
No momento em que esta edição da TecnoMetal vier a ser distribuída estará a ser realizada na EXPONOR, em Matosinhos, a edição de 2014 da “EMAF – Exposição Internacional de Máquinas-Ferramenta e Acessórios.
A EMAF é uma exposição de referência no contexto das tecnologias de produção, sendo seguramente uma das mais importantes feiras industriais em toda a Península Ibérica.
Como é sabido a organização deste certame é da responsabilidade da AEP, a qual tem contado nesse âmbito com o apoio empenhado da AIMMAP ao longo das suas sucessivas edições.
Aliás, a AIMMAP tem promovido um conjunto de iniciativas de grande significado no sentido de promover a importância, a notoriedade e o impacto da EMAF.
Apesar de todos estarmos conscientes de que a organização de feiras industriais em Portugal já conheceu melhores dias, não temos ainda assim quaisquer dúvidas de que a EMAF consegue manter uma pujança e uma vitalidade que lhe permitem continuar a merecer uma grande relevância no setor a que se dirige.
Tal circunstância decorre em primeiro lugar, como é óbvio, do esforço desenvolvido pelos organizadores da feira para a continuarem a levar a efeito em condições de grande dignidade.
Mas é igualmente consequência do facto de o subsetor das tecnologias de produção – a exemplo do que sucede no setor metalúrgico e metalomecânico em geral -, revelar uma dinâmica e uma resiliência que o convertem numa das mais significativas indústrias em Portugal.
A EMAF continua a ter expositores e visitantes porque é uma feira de qualidade. Mas não é menos certo de que só pode ser vista como um evento de qualidade pelo facto de contar no seu leque de expositores com empresas de verdadeira excelência.
Conforme temos dito repetidamente, as tecnologias de produção são a indústria das indústrias.
Pelo que não é possível conceber-se uma economia verdadeiramente industrializada sem se apoiar de forma prioritária este subsetor dos bens de equipamento.
É preciso acarinhar a produção nacional de máquinas, de forma a garantir uma oferta portuguesa de qualidade a todos os setores de atividade, desde a metalomecânica ao calçado, passando pelo têxtil, a pedra ou o mobiliário.
Espero sinceramente que a realização de mais uma edição da EMAF venha a ter a virtualidade de nos fazer refletir a todos na importância incontornável deste subsetor de atividade no contexto da economia portuguesa.
É fundamental que o governo português desenvolva iniciativas que potenciem o robustecimento desta indústria. Numa economia persistentemente em crise, uma aposta estratégica numa indústria como esta contribuiria - para o crescimento do PIB e para a redução do défice -, muito mais do que a grande maioria das medidas de austeridade que o governo tem vindo a adotar.
O Presidente da Direção
Aníbal Campos"

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Inovar; Reforçar; Cooperar;

Está em curso a promoção de uma ação de eficiência coletiva por parte da AIMMAP e de associados vocacionada para o segmento das empresas produtoras de peças técnicas.
Tendo em conta que a também chamada “sub-contratação industrial” já representa um volume de faturação anual na ordem dos 6 mil milhões de euros e são cada vez mais as empresas que apresentam ao cliente uma relação qualidade/preço notável, com a incorporação de inovação e engenharia em todo o processo, o reforço da cooperação era uma oportunidade que se deveria potenciar, no entender da AIMMAP.
Foi assim decidido implementar uma ação de eficiência coletiva orientada a este segmento que se materializará na criação de um polo de competitividade dirigido especificamente a esse conjunto de empresas.
Veja o editorial da Tecnometal onde o Presidente Aníbal Campos esclarece os propósitos deste novo desafio.

"Reforçar a cooperação

A AIMMAP decidiu implementar uma ação de eficiência coletiva especialmente vocacionada para o segmento das empresas produtoras de peças técnicas.

Esse segmento de atividade – habitualmente também designado como “subcontratação industrial” -, tem uma importância crescente no contexto da indústria portuguesa em geral e do setor metalúrgico e metalomecânico muito em particular.
Há cada vez mais e melhores empresas a trabalhar nesse domínio, o qual gera já anualmente um volume de negócios agregado na ordem dos 6 mil milhões de euros.
A AIMMAP tem estado muito atenta ao percurso dessas empresas ao longo dos últimos anos, sendo aliás certo que desenvolve regularmente diversas iniciativas no sentido de as apoiar efetivamente.
Consequentemente, temos a clara consciência de que muitas dessas empresas cooperam facilmente entre si. E sabemos igualmente que não só revelam um assinalável dinamismo nas áreas da exportação e da internacionalização, como estão cada vez mais sensibilizadas para a importância da inovação no contexto da atividade empresarial.
Tais características permitiram que a nossa oferta de peças técnicas haja adquirido uma reputação de grande qualidade a nível europeu, destacando-se mundialmente pela excelente relação entre qualidade e preço.
Tendo em conta o exposto, tanto a AIMMAP como muitas das empresas desse segmento tomaram em conjunto a decisão de criar condições para reforçar o excelente trabalho que tem vindo a ser desenvolvido nesse domínio.
Consequentemente, foi decidido implementar uma ação de eficiência coletiva dirigida a esse segmento, consubstanciada na criação de um polo de competitividade dirigido especificamente a esse conjunto de empresas.
Estando certos de que irão aderir a esse projeto, para além da AIMMAP e de largas dezenas de empresas, diversas entidades do sistema científico e tecnológico nacional, estamos também absolutamente convictos de que a iniciativa em causa poderá vir a ser um extraordinário contributo para que as empresas produtoras de peças técnicas possam efetuar com ainda mais eficiência e eficácia o já excelente trabalho que desenvolvem nos domínios da internacionalização, da inovação e da cooperação.
Temos excelentes perspetivas quanto ao sucesso desta iniciativa. De todo o modo, o simples facto de estarmos desta forma a reforçar a cooperação entre as empresas é por si só um enorme motivo de satisfação para a AIMMAP.
O Presidente da Direção
Aníbal Campos"

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Apoio à inovação – ter razão antes de tempo

Há cerca de 3 anos, a Direção da AIMMAP definiu como essenciais para o crescimento das empresas suas associadas, 3 áreas prioritárias: a inovação, a formação e a internacionalização.
Estas foram também as áreas recentemente identificadas por Daniel Calleja Crespo, Diretor Geral da Empresa e da Indústria na Comissão Europeia, para as empresas europeias vencerem o desafio global.
No ambiente de concorrência extrema em que as empresas são obrigadas a viver, suportando custos energéticos, sociais, fiscais e de regulação, bastante mais elevados do que os seus concorrentes globais, será na aposta nestas áreas que está o sucesso e o crescimento da indústria europeia.
Se a formação e a internacionalização foram iniciativas amplamente concretizadas pela AIMMAP nos últimos anos, há agora espaço para a inovação. A perspetiva do novo quadro comunitário, o HORIZON 2020, é condição de reforço do trabalho da AIMMAP em prol da inovação junto das empresas do setor.
São várias as iniciativas previstas para o decorrer de 2014.
O Editorial da “TecnoMetal” reflete o pensamento do Presidente da AIMMAP sobre a temática e identifica as grandes linhas de atuação rumo ao futuro.

"Apoio à Inovação
 

A inovação, a formação e a internacionalização são as mais importantes áreas em que as empresas portuguesas podem e devem investir.
Muito recentemente, Daniel Calleja Crespo, Diretor Geral da Empresa e da Indústria na Comissão Europeia, no âmbito de uma iniciativa promovida pela ORGALIME em Bruxelas, defendia precisamente que a aposta naquelas três vertentes é a única saída para a empresas europeias, as quais, conforme sublinhou, são obrigadas a ter custos energéticos, sociais, fiscais e de regulação muito mais elevados do que os dos seus concorrentes em todos os cantos do mundo.
Desde há muitos anos que a AIMMAP identificou aquelas 3 matérias como as suas áreas prioritárias. Inclusivamente, quem se der ao trabalho de rever o Programa de Candidatura da lista que apresentei aos órgãos sociais desta associação em 2010 poderá encontrar uma linha de pensamento muito semelhante àquela que é agora defendida publicamente por tão alto responsável da União Europeia.
Para além disso, não se ficando pelas palavras, a AIMMAP tem procurado concretizar iniciativas relevantes de apoio às empresas associadas em cada uma daquelas 3 áreas.
E sem falsas modéstias, congratulo-me pelo facto de, na sua maioria, as ações que temos desenvolvido em tal âmbito estarem a atingir excelentes resultados.
Estando agora iminente o início do próximo quadro comunitário de apoio, para o período de 2014 a 2020, decidiu a AIMMAP reforçar o seu trabalho no domínio do apoio à Inovação.
Nesse sentido, vamos criar um gabinete especificamente vocacionado para apoiar as nossas empresas nesse âmbito.
E serão várias as vertentes do trabalho a desenvolver por esse gabinete.
Em primeiro lugar queremos ajudar as nossas empresas a acederem com maior fluidez aos fundos de apoio à inovação que venham a estar previstos no novo quadro comunitário, efeito para o qual iremos inclusivamente lançar um Guia da Inovação.
Por outro lado, é nosso propósito identificar os constrangimentos legais e burocráticos com que as empresas se confrontam em tal domínio, seja em Bruxelas, seja em Lisboa.
Num outro plano, vamos tentar sensibilizar as autoridades nacionais e comunitárias para as necessidades das nossas empresas sempre que sejam delineadas prioridades neste contexto.
Paralelamente, num domínio mais conceptual, iremos continuar a defender um conceito mais lato da inovação, a qual entendemos que não se cinge à investigação e desenvolvimento e muito menos à investigação experimental.
Finalmente, este novo gabinete irá promover a realização de seminários e a publicação de artigos no intuito de sensibilizar as empresas da AIMMAP para a importância incontornável desta temática.
Estamos absolutamente convictos de que esta iniciativa será um sucesso. Mas gostaria desde já de sublinhar que, para que tal suceda, será necessário que as nossas empresas se sintam comprometidas com o projeto e que o enriqueçam com um envolvimento verdadeiramente pró-ativo.
O Presidente da Direção
Aníbal Campos"



sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Perdão Fiscal – Quando a esmola é grande…

Foi anunciado com grandes parangonas na imprensa o chamado “perdão fiscal” para regularização de dívidas à “Segurança Social” e às “Finanças”, por parte dos contribuintes singulares e coletivos.

O editorial de Aníbal Campos da 208ª edição da “TecnoMetal” merece uma leitura cuidada pois contém uma reflexão crítica a esta medida, entretanto posta em prática pelo Governo de Portugal.

Se por um lado se enaltece a sua conceção, por outro corajosamente lembram-se os perigos escondidos da hipotética má aplicação prática da medida.

É que o Governo não pode, em nome da receita fiscal, distorcer o mercado e permitir abusos de concorrência, como aliás se verificaram no passado em situações semelhantes.

Queremos acreditar que o mercado já se encarregou de separar as empresas que verdadeiramente querem crescer das que querem “canibalizar” a concorrência através do aproveitamento ilícito destes perdões fiscais.

Mas a AIMMAP, enquanto representante de um setor cumpridor, não pode deixar de alertar as autoridades para este tipo de práticas. Leia o editorial da “TecnoMetal” e dê sequência à reflexão do Presidente da AIMMAP.

"Perdão fiscal

A comunicação social anunciou recentemente que o governo e a maioria que o suporta se preparam para fazer aplicar um novo plano de regularização de dívidas fiscais, ou seja, aquilo que habitualmente se designa por perdão fiscal.
Até ao momento não foram divulgados todos os detalhes da medida. E admito que, entre a data em que escrevo estas linhas e o momento em que as mesmas poderão ser lidas, venha a correr muita água debaixo da ponte.
É previsível que o governo avance com a concretização desta ideia. Mas não será totalmente impossível que acabe por descartá-la.
Independentemente do que venha a suceder, não podemos deixar de manifestar desde já a nossa posição sobre o assunto.
Como é evidente, sempre aplaudimos quaisquer medidas que sejam suscetíveis de alivar a situação das empresas em dificuldades.
Pelo que, do ponto de vista conceptual, acolheremos naturalmente uma solução como a que se anuncia.
Não obstante, o interesse das empresas e fundamentalmente a defesa dos mais elementares princípios que orientam uma economia de mercado aconselham à maior prudência na execução deste tipo de planos.
Nesse sentido, não poderemos admitir que esta medida possa vir a ser um balão de oxigénio artificial para empresas inviáveis e que apenas vão sobrevivendo pelo facto de estarem verdadeiramente ligadas à máquina.
A experiência demonstra que planos idênticos anteriores foram abusivamente explorados por empresas muito pouco escrupulosas e já absolutamente insolventes para ganhar tempo de vida sem qualquer benefício para a economia.
Pelo contrário, esse tipo de empresas não teve no passado o menor pudor para aproveitar esses perdões fiscais no sentido de provocar distorções na concorrência.
Numa lógica de perdido por cem, perdido por mil, houve empresas que aproveitaram objetivamente o tempo artificial de vida que lhes foi garantido por perdões fiscais para fazer concorrência verdadeiramente desleal e acabar assim por criar dificuldades ou mesmo destruir os seus melhores concorrentes.
É exatamente para esse perigo que gostaríamos agora de alertar. O perdão fiscal poderá ser bem-vindo. Mas só será justo e eficaz se tiver como verdadeiros princípios orientadores a defesa da economia de mercado e a salvaguarda da livre concorrência.
Pelo contrário, se o propósito subjacente for apenas o de aumentar a receita fiscal, seguramente que dará muito mau resultado. Nesse caso, por cada empresa que possa ser beneficiada, haverá um número muito superior de boas empresas a passar dificuldades acrescidas. É que, como todos sabemos, há ideias que são boas na teoria e aparência mas que acabam por ser terrivelmente perversas quando concretizadas. E esse pode ser o caso desta, se não houver cuidado.
O Presidente da Direção
Aníbal Campos"

terça-feira, 24 de setembro de 2013

O novo quadro comunitário de apoio: catalisador do progresso e do crescimento?

Está em preparação e discussão a definição das prioridades nacionais referentes ao próximo quadro comunitário de apoio, o “Portugal 2020”.

Aníbal Campos, no seu editorial da 207ª edição da “TecnoMetal” e enquanto presidente da direcção da AIMMAP, destaca a recente disponibilidade do Ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, e da sua equipa, em ouvir os representantes da indústria e do sector em particular, sobre o que deverá ser tido em conta para potenciar a capacidade das empresas no correcto e eficaz aproveitamento dos fundos a disponibilizar.

Ouvir os industriais; ser sensível às propostas de simplificação dos processos; destacar o imperativo de apresentação de um plano consistente a Bruxelas, que tenha em conta as reais necessidades e valências das empresas, o conceito alargado de inovação, a capacidade técnica de quem avalia e o apoio à internacionalização das empresas e dos seus produtos, são reflexões presentes no editorial que merecem a leitura de todos.


"O novo quadro comunitário de apoio

Há pouco mais de um ano, neste mesmo espaço, desafiei o governo a recolher os contributos das principais associações de empregadores do país como forma de enriquecer a preparação do futuro quadro comunitário de apoio.
Ao contrário do que muitas vezes sucede, o atual governo aceitou esse e outros reptos idênticos tendo-se disponibilizado a auscultar as mais representativas associações a propósito do tema.
Uma importante delegação constituída pelo Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, pelo Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Castro Almeida, pelo Secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade, Pedro Gonçalves, e pelo Gestor do COMPETE, Franquelim Alves, deslocou-se recentemente à sede da AIMMAP para nos ouvir em tal âmbito.
Tivemos oportunidade de manifestar as nossas preocupações e apresentar diversas sugestões. E apresentámos um documento com imensos contributos em tal domínio, tanto ao nível conceptual como de cariz mais instrumental.
Esse documento contou com contribuições de empresários do setor e dos serviços da AIMMAP e será disponibilizado a todos os nossos associados que manifestem interesse nesse sentido.
Independentemente da leitura do documento em causa, gostaria de aproveitar esta oportunidade para enfatizar alguns pontos mais importantes da posição apresentada pela AIMMAP ao governo.
Em primeiro lugar, chamo a atenção para a necessidade de se simplificar procedimentos na elaboração e apreciação dos projetos apresentados pelas empresas. Isso será verdadeiramente fundamental.
Por outro lado, é essencial que os programas existentes sejam concebidos tendo por base as reais necessidades das empresas. Nomeadamente, é decisivo que se estimule as empresas – particularmente as industriais -, a apostar cada vez mais na Inovação. E nesse contexto, terá de atualizar-se de uma vez por todas o conceito de inovação. Os académicos e similares alimentam permanentemente o mito de que a inovação se cinge fundamentalmente à investigação e desenvolvimento. Essa é porém uma ideia que urge combater com total afinco. O conceito de inovação é muitíssimo mais amplo e pode ser aplicado a produtos, processos, sistemas de gestão ou meros procedimentos internos. Pelo que os programas a incluir no novo quadro terão de ter em consideração essa evidência.
Num outro contexto, é preciso que as candidaturas apresentadas pelas empresas sejam apreciadas por quem conhece a realidade económica. Critérios académicos e/ou economicistas não são bastantes para análise ao mérito de uma candidatura.
Para além do exposto, importa que os programas apoiem, como já fizeram no passado, ações de demonstração e disseminação de boas práticas, as quais podem ser instrumentos catalisadores do progresso e do crescimento.
Ainda num outro plano, é absolutamente curial que, no domínio da internacionalização, sejam concebidos programas com alguma inovação no sentido de alavancar cada vez mais as exportações portuguesas.
Finalmente, preocupa-nos que, pelo menos em áreas decisivas para as nossas empresas – como por exemplo a inovação -, o facto de os subsídios às empresas assumirem a forma de reembolsáveis virem a ser suscetíveis de fazer desviar uma grande parte dos fundos, da indústria situada em regiões de convergência para projetos à medida do centro político.
Estas são algumas reflexões avulsas que de forma nenhuma esgotam o teor do documento que apresentámos ao Ministro Miguel Poiares Maduro.
Não posso porém deixar de as partilhar com os leitores da TecnoMetal, no intuito de os sensibilizar para pontos que nos parecem verdadeiramente decisivos.
Esperemos agora que o governo continue a fazer corretamente o seu trabalho e que comece por defender eficazmente em Bruxelas os legítimos interesses da economia portuguesa.
Quanto a nós, seguiremos disponíveis para continuar a colaborar no que nos for solicitado.
Mas independentemente do que vier a suceder, há um ponto que quero realçar desde já: o Ministro Miguel Poiares Maduro está atento à importância dos setores tradicionais e é além disso um político que sabe conversar e ouvir. É certo que essa deveria ser a regra geral e que, como tal, não deveria ser suscetível de gerar espanto. Mas como no nosso país essa não é a regra e sim a exceção, faço questão em nome da AIMMAP de manifestar o nosso apreço por esse tipo de postura.
O Presidente da Direção
Aníbal Campos"